Temas como internacionalização, economia brasileira, China e youtubers foram analisados na primeira parte do evento, pela manhã.

“Atitudes que fazem a diferença – ética, inovação e eficiência”, tema do 4º Congresso Internacional de Franchising ABF, centralizou análises e debates do público de 250 pessoas que lotou o Auditório Santander, em São Paulo, nesta quinta-feira (6). O presidente da ABF, Altino Cristofoletti Junior, abriu o evento, lembrando os temas enfocados nos congressos anteriores, que abordaram desde o compartilhamento de experiências bem-sucedidas mundialmente e o estímulo às melhores práticas no franchising mundial, em 2014, até os desafios do crescimento no Brasil, em 2016. Este ano, a trilha do conhecimento do congresso está embasada no lema dos 30 anos da ABF: Atitudes que fazem a diferença.
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Cristofoletti destacou o processo de internacionalização das marcas brasileiras, impulsionado pela ABF em parceria com a Apex-Brasil (agência brasileira de exportação ligada ao Ministério das Relações Exteriores), e por iniciativas conjuntas com entidades como o World Franchise Council (WFC). Hoje o franchising brasileiro está presente com cerca de 140 marcas em mais de 60 países.  “Vencemos certamente muitos desafios até aqui e sabemos que temos muitos outros pela frente. Vamos seguir firmes, agindo para fazer a diferença e para que todos juntos possamos fazer um Brasil diferente e cada vez mais reconhecido internacionalmente”, afirmou o presidente.Uma rápida pesquisa online feita com os participantes durante o congresso revelou que 73% dos franqueadores presentes afirmaram ter interesse em internacionalizar sua marca, 56,7% pretendem operar nos Estados Unidos e 33,3% nas América do Sul e Central.

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Internacionalização

No painel Franchising Connection: internacionalização de redes no mercado americano, o diretor internacional da ABF André Friedheim fez um pingue-pongue com Mario Chady, fundador do Grupo Trigo e criador, dentre outras marcas, do Spoleto. De acordo com Chady, para expandir “o segredo é o suporte que a franqueadora pode dar, criando uma gestão ponto a ponto”. O painel abriu a programação da parte da manhã.

A rede partiu para a internacionalização primeiro pelo México e depois foi para os Estados Unidos. No entanto, a falta de uma pesquisa prévia antes de atravessar fronteiras dificultou a internacionalização da marca. “Tudo o que fizemos no México foi rota de aprendizado para entrarmos nos Estados Unidos”, afirmou.

O mercado norte-americano é imenso e atraente, mas é preciso estar pronto para enfrentar a acirrada concorrência. “Todo mundo está abrindo alguma coisa a todo momento, a toda hora, então, tem que estar pronto”, ressaltou Chady.

Atualmente, o Spoleto possui quatro lojas em Orlando (Flórida) e uma em Irvine, na Califórnia, todas próprias, e outras duas serão abertas em Orlando. Sobre partir para outros países, o franqueador é enfático: “A gente não quer abrir mão do foco e o mercado americano é aspiracional”. “Expansão internacional demanda sola de sapato. Não acredito se não for com sola de sapato e olho no olho”, disse.

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Tendências econômicas

As tendências econômicas e as alavancas para o crescimento no Brasil foram detalhadas por Adriana Beltrão Dupita, economista-chefe do Banco Santander. Segundo ela, a falta de competitividade, o desequilíbrio fiscal macro e microeconômicos acentuados que elevou a dívida pública, tornando-a explosiva, impedem o crescimento econômico do País. “Vocês têm sucesso não por causa do ambiente de negócios no Brasil, mas apesar dele”, afirmou.

Para Adriana, o problema fiscal é sempre o nó que precisa ser desatado pelo governo para que o País cresça e as reformas são o primeiro passo para que o Brasil retome o caminho do desenvolvimento. Na visão da economista, as reformas fiscal e previdenciária, as concessões, a minirreforma trabalhista e a simplificação tributária pavimentarão esse caminho. “Temos todas as perspectivas para retomar o caminho do crescimento, com inflação no centro da meta, ajuste fiscal, mesmo que seja mínimo, e contas externas relativamente equilibradas”, concluiu.

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China: fonte de inspiração e oportunidades

Há inúmeras oportunidades e também lições a serem aprendidas pelos empresários brasileiros na China. É o que mostrou o painel moderado por Décio Pecin, diretor de capacitação da ABF, que contou com a participação de Augusto Castro, coordenador do Grupo China na Apex-Brasil desde janeiro, quando foi criado.

Segundo Pecin, mais do que “preconceito”, há muito “pré-conceito” em relação à China. “Precisamos nos abrir para tantas oportunidades e aprender com as lições dos chineses”, observou. O comércio eletrônico é um dos mercados mais atraentes do gigantesco país oriental, de acordo com o executivo.

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“A China é um mundo à parte”, afirmou Castro.  Facebook e Google não estão na China, que utiliza o Wechat e o Baidu, congêneres orientais das gigantes da internet no Ocidente. Segundo ele, atualmente pouco mais da metade da população de 1,4 bilhão de habitantes (cerca de 700 milhões de pessoas), têm acesso à internet.

Entre os segmentos com mais oportunidades no mercado chinês, Castro destacou Casa e Construção, Alimentos e Bebidas. Segundo ele, estranhamente, o Brasil, maior fornecedor de carne para a China, não “exportou” nenhuma churrascaria para lá. Outras oportunidades estão nos segmentos de Esporte e Saúde. Exemplo de franquia que fincou os pés no mercado chinês, citado por Castro, é a Ronaldo Academy, criada pelo campeão mundial de futebol Ronaldo Nazário em conjunto com Carlos Wizard Martins, um dos maiores empresários do franchising brasileiro. Ainda de acordo com Castro, para empreender na China é preciso ter “paciência, muito fôlego e capacidade de negociar”.

Youtubers

O painel “Youtubers: Comunicação inovadora e veloz” reuniu os influenciadores Mari Fulfaro, cocriadora do canal, ou, como ela fez questão de enfatizar, da “produtora” Manual do Mundo, Maurício Cid, do canal “Não Salvo”, Fábio Utumi, da Agência IQ, moderado por Juarez Leão, diretor institucional da ABF. “O que está muito claro para todo mundo hoje é que o primeiro contato entre marca e consumidor se dá no meio digital”, afirmou.

Utumi destacou o poder dos influenciadores e sua capacidade de empreender. Hoje, Mari e Cid são donos de empresas com vários funcionários, diretos e indiretos, sede própria e que pagam impostos. Segundo ele, se bem utilizados, canais como o Youtube podem ser excelentes para associação de imagem, marca e muito mais pelas empresas. “É uma arma poderosa e a empresa tem que saber utilizar para explorar todo seu potencial”, ressaltou o diretor da ABF.

Cid criou seu canal há sete anos. A pegada do blog é revelar muito conteúdo que tempos depois vai viralizar na web. “Estamos chegando perto de 1 bilhão de visualizações. É assustador”, falou. Com seu poder de influência, o youtuber já fez “negócios” inacreditáveis na internet, desde “vender” um amigo até um anão, tudo como brincadeira, mas que revelam também o poder da web. O patrocínio de marcas em seu canal existe desde o início. “Quando a marca entra na brincadeira da internet, a galera curte,” disse.

Nove anos após a iniciativa de lançar junto com o marido o Manual do Mundo, Mari contabiliza quase 8 milhões de seguidores e 1,5 bilhão de visualizações. A youtuber mostrou como criar engajamento de consumidores às marcas, trazendo a audiência virtual para as lojas. “Isso é credibilidade”, sentenciou. A credibilidade desses influenciadores atraiu grandes marcas parceiras para seus canais.

Segundo Mari, a relação do Manual do Mundo com os negócios em franquias está na conexão com o público. “A gente tem uma conexão muito forte com o nosso público e isso vem da verdade do que a gente fala e do que a gente produz”, disse.

Para trilhar essa trajetória de sucesso no mundo virtual, que se reflete no mundo real,  é vital que toda empresa esteja na internet. “Conheço padaria que anuncia no Facebook quando sai o pão quentinho e as pessoas vão lá para comprar. Então, tenham sua página na internet”, conclui Cid.

Autor Thalita Felisardo

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