Já imaginou se você pudesse conversar com cada um dos seus clientes, individualmente, bem de pertinho, a qualquer hora do dia? O que diria a eles?

Já faz algum tempo que a tecnologia permite que os anúncios das empresas cheguem a públicos cada vez mais segmentados. Nas redes sociais, por exemplo, os anunciantes hoje contam com filtros muito específicos que permitem selecionar o público-alvo a partir de várias características.

Isso resulta em uma comunicação direta, individualizada e ao mesmo tempo feita em larga escala, ainda que passe a sensação de ser algo bem direcionado e pessoal. Trata-se de uma verdadeira revolução no relacionamento entre empresas e seus clientes.

Porém, tenho visto muitas empresas desperdiçando esta maravilhosa oportunidade que a tecnologia nos traz. Muitos gestores se preocupam bastante em entender o funcionamento das ferramentas digitais, em segmentar os anúncios, em otimizar a verba de Marketing, mas se esquecem de algo fundamental: da mensagem que querem passar.

De que adianta encontrar seu cliente e conseguir a atenção dele se na hora de transmitir a mensagem a empresa falha? Hoje em dia, o que mais se vê é o cliente certo lendo o anúncio errado.

Empresas repetem exaustivamente que são as melhores em suas categorias, que têm os melhores produtos, o melhor atendimento, os melhores preços, a melhor qualidade, as melhores condições de pagamento… Tudo muito vazio, chato, repetitivo e muitas vezes até mentiroso, não é mesmo?

Qual foi o último anúncio que apareceu na sua timeline e realmente causou impacto?

Hoje, o consumidor tem muitas maneiras de se informar. Quando finalmente decide comprar um produto vendido pela sua empresa, ele já pesquisou exaustivamente sobre todas as características técnicas, preços, condições de pagamento e avaliações de outros consumidores. É ele quem comanda a sua própria busca, tendendo a desconfiar de tudo que as empresas vendem como “verdades absolutas”.

Mas as empresas, preocupadas demais com o meio, parecem se esquecer de elaborar cuidadosamente a mensagem.

Como você quer que sua empresa seja percebida? Qual é a sensação que ela quer causar nos consumidores? Como você pode fazer o cliente se conectar com os valores da sua marca e continuar se relacionando com ela depois de ver o anúncio?

Tentar responder a perguntas como essas pode ajudar as marcas a criarem mensagens mais interessantes, atraentes e efetivas. Caso contrário, os anúncios se parecerão cada vez com discursos de vendedores mal treinados que, ao olhar para o cliente, não conseguem dizer nada mais criativo do que “posso ajudar?”

Está na hora de valorizar a mensagem. Caso mantenham o mesmo discurso vazio, auto-elogioso e unilateral em sua publicidade, as empresas continuarão levando para o mundo digital os velhos erros que sempre praticaram no relacionamento com os clientes nas lojas físicas.

 

Artigo de Américo José para a Folha de S. Paulo

Autor Américo José

É sócio-diretor da Cherto Atco, formado em Propaganda e Marketing. Atua há mais de 20 anos como consultor de empresas, desenvolve e ministra programas de treinamento. Colaborador das revistas Abcfarma, Novo Meio e Meu Próprio Negócio.

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