Nunca foi tão fácil se comunicar. Hoje, a tecnologia conecta pessoas de qualquer lugar do mundo e possibilita que as ideias trafeguem sem barreiras, unindo mentes criativas, dando acesso a mais informação e possibilitando muitas inovações. Com a internet, o avanço do conhecimento nunca foi tão rápido.

A comunicação virtual é, sem dúvida, uma das grandes conquistas da humanidade, porque encurta distâncias conectando pessoas e empresas. Porém, existe uma perda de oportunidades para a criatividade emergir quando as mensagens são apenas eletrônicas, e não presenciais.

Sabe quando o tom de voz empregado na frase altera completamente seu significado, dando sentido oposto? Esse é apenas um dos pontos que as mensagens escritas não capturam e que pode causar um ruído na comunicação.

Mas você pode argumentar, com razão, que hoje existem milhões de ferramentas de voz e vídeo. E que essas ferramentas têm substituído com muita velocidade as mensagens escritas.

Tudo isso também é verdade. Mas aí chegamos ao problema central da comunicação virtual: ao não estarmos presentes no mesmo ambiente, nos concentramos em uma conversa mais objetiva, direta. Aquelas interações e ideias que surgem sem querer, assuntos que brotam do nada e mesmo detalhes do nosso processo criativo podem escapar.

O economista americano Edward Glaeser, professor de Harvard e um dos maiores estudiosos da existência das cidades, afirma que uma das razões para as cidades modernas existirem é que nesses lugares “as ideias flutuam no ar, o que torna mais fácil o surgimento de avanços tecnológicos”.

Segundo ele, essa é uma razão que explica a presença das principais empresas de tecnologia no Vale do Silício, por exemplo. É também o que justifica que grandes bancos e corretores estejam sediados em Nova York, a poucos metros de distância uns dos outros.

Essas empresas, mesmo possuindo todo aparato tecnológico necessário para fazer seus trabalhadores se comunicarem virtualmente ao redor do mundo, se dispõem a pagar altos custos de locação e transporte das grandes cidades para estarem presentes em lugares onde seus empregados possam interagir entre si, com outros trabalhadores da mesma indústria e com empregados de outros setores. Elas pagam para estar fisicamente presentes no centro da informação, onde as ideias circulam.

Ao encontrar um colega num bar ou almoçar com um amigo que trabalha na empresa concorrente, por exemplo, as pessoas podem ter acesso – involuntariamente – a uma informação que gere uma boa ideia, uma inovação. E preste atenção na palavra “involuntariamente”: ela é a chave da questão.

Ao tomar um café com um colega e ter uma conversa despretensiosa, ele pode involuntariamente comentar sobre algum dado relevante para o seu trabalho. Nem você nem ele sabiam que aquele dado era relevante até então – por isso não tinham comentado antes. Mas ao conversarem, percebem a importância da informação e daí surge uma nova ideia ou conexão de ideias.

Ninguém está dizendo que as mensagens eletrônicas são ruins e devem ser abandonadas, longe disso. Mas não podemos esquecer que a interação presencial tem essa poderosa vantagem: a conversa costuma ser sempre mais rica.

Artigo de Américo José para a Folha de S. Paulo

Autor Américo José

É sócio-diretor da Cherto Atco, formado em Propaganda e Marketing. Atua há mais de 20 anos como consultor de empresas, desenvolve e ministra programas de treinamento. Colaborador das revistas Abcfarma, Novo Meio e Meu Próprio Negócio. Colunista da Folha de S.Paulo

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