Economia compartilhada: o novo modo de consumir e fazer negócios. Desde a crise de 2008 novos modelos de negócios surgiram em meio às preocupações ambientais, à recessão global, às novas tecnologias e redes sociais. Palavras como “compartilhamento” e “troca” estão tomando o lugar do “consumo” e “compra”. O consumidor cada vez mais paga pelo benefício do produto e não mais pelo produto em si.  Assim, o estilo de vida é mantido uma vez que as necessidades dos consumidores são supridas, gerando renda para quem oferece o serviço de uso do produto e, por fim, trazendo sustentabilidade para os indivíduos envolvidos e para o planeta.

Tendo em vista tal cenário, surge a questão de como essa nova maneira de viver e trabalhar impacta no franchising. De acordo com Jorgen Veisdal, Ph.D na Norwegian University of Science and Technology, o conceito de franchising é a primeira versão da economia compartilhada, uma vez que em ambos existe o compartilhamento de know-how, de uma marca, de marketing, estabelecimento de padrões e o pagamento de uma porcentagem para a empresa detentora da marca – os royalties no caso das franquias tradicionais.

Sendo assim, é possível elencar os fatores comuns com o franchising, mostrando como é viável gerar confiança e benefícios de uma nova perspectiva. As empresas Airbnb e Uber são bons exemplos para tanto.

Assim como Accor Hospitality e Localiza, o Airbnb e o Uber conseguiram construir suas marcas tendo o boca-a-boca como principal vetor de propaganda. Além disso, a partir do “brand awareness” criam uma demanda ascendente do serviço associado à marca, como também uma dependência com a empresa detentora da mesma.

Outro aspecto comum entre Airbnb e Uber e as franquias tradicionais é o estabelecimento de padrões. No caso do primeiro, o “Hosting Standards” ajuda cada indivíduo a operar com sucesso seu negócio a fim de receber boas avaliações. Assim como os padrões do Uber – ano e modelo do carro, atendimento do motorista, oferecimento de balas e água até a rádio escolhida para tocar – objetivam a boa avaliação do “uberista”.

O uso de tecnologias cada vez mais avançadas é um diferencial de empresas como Airbnb e Uber, resultando na rapidez na tomada de decisão e no corte de despesas relacionadas ao controle de qualidade através de feedback instantâneo da experiência do consumidor. Assim, aqueles que não oferecerem um serviço dentro dos padrões são cortados rapidamente no caso do Uber e no caso do Airbnb, más avaliações reduzem a demanda de hospedagens de baixa qualidade ou que não correspondem às expectativas dos hóspedes, resultando ou na eliminação orgânica de maus anfitriões ou no esforço dos mesmos de melhorar suas avaliações.

A partir desse paralelo traçado é possível enxergar a economia compartilhada tanto como ameaça devida à sua agilidade e constante inovação ou como oportunidade para as franquias tradicionais, se estas estiverem abertas a mudanças, a incorporar tecnologia nos seus serviços e aliarem-se às plataformas já existentes.