Tenho tido o privilégio de conviver com alguns dos empreendedores de maior destaque deste país. Refiro-me, entre outros – que são tantos que eu não teria espaço suficiente para listar todos aqui – a gente como:

Leila Velez, ex-moradora de uma comunidade carioca e ex-funcionária de balcão numa loja do McDonald’s que co-fundou e hoje é a CEO do Beleza Natural, a maior rede de salões especializados em cabelos crespos do país, que também vende seus cremes, xampus e demais produtos em quiosques e lojas com sua marca e está estudando a abertura de um primeiro salão fora do Brasil. Tenho muito orgulho em ser um dos Conselheiros dessa organização.

Geraldo Rufino, também oriundo de uma comunidade, que aos 9 anos de idade catava latinhas num lixão e mais tarde fundou a JR Diesel, líder no mercado de desmanches, que nasceu quando os poucos caminhões velhos que Geraldo possuía se acidentaram todos no mesmo mês e, para arrumar dinheiro, ele se viu obrigado a desmanchá-los e vender as peças. Desde então, a empresa já teve momentos de baixa, mas Geraldo sempre ressurgiu mais forte do que antes.

Eloi de Oliveira, ex-menino de rua, ex-officeboy de uma agência de viagens – cuja dona permitia que dormisse no sofá da recepção, já que não tinha onde morar – e ex-fiscal de plataforma na Rodoviária de São Paulo, que fundou e é o atual presidente do Conselho da Flytour/Gapnet, líder absoluta em viagens corporativas no Brasil.

Quem me conhece sabe que sou um eterno aprendiz. Procuro aprender com tudo e com todos, o tempo inteiro. Entendo que ninguém é tão ruim que não tenha o que ensinar, nem tão bom que não tenha muito a aprender. Imagine, então, o que tenho aprendido me relacionando de perto com gente do calibre desses três empresários.

Na tentativa de captar o que os levou ao sucesso, tenho buscado identificar neles alguns traços comuns, já que, à primeira vista, cada um é totalmente diferente dos demais. Algumas das características presentes em todos são as que qualquer um esperaria encontrar num empreendedor: os três são determinados, resilientes, trabalhadores, ousados, se cercam de pessoas competentes, são bons vendedores (de idéias, conceitos, produtos, etc), gostam de gente e se relacionam bem com pessoas dos mais diversos níveis e perfis.

Contudo, há uma característica comum adicional, que parece passar despercebida pela maior parte das pessoas: um imenso cuidado com os integrantes das respectivas equipes. Cuidado que se manifesta, não apenas nos grandes gestos, mas na forma como cada um trata no dia a dia seus colaboradores, do mais humilde ao mais graduado. Acredito que o fato de terem eles próprios começado de baixo, de terem passado necessidade e sido alvo de discriminação e pouco caso, os ajuda a compreender como se sente alguém que está “lá em baixo” na hierarquia corporativa e a tratar cada um da forma como gostaria de ser tratado.

Você pode perguntar: “E que diferença isso faz para o sucesso dos negócios deles?”. A resposta que eles próprios dão a essa pergunta é “Eu cuido bem das pessoas que trabalham na minha empresa. E elas, em troca, cuidam bem dos nossos clientes e da própria empresa”. Simples assim.

E você, leitor, como trata seus colaboradores?

*Marcelo Cherto é presidente do Grupo, membro da Academia Brasileira de Marketing, Conselheiro de várias organizações e autor de diversos livros sobre negócios.

Autor Marcelo Cherto

É presidente e fundador do Grupo Cherto (Cherto Consultoria, Franchise Store e Cherto Atco). Mestre em Direito pela New York University, é um dos fundadores da Associação Brasileira de Franchising (ABF), além de membro da Academia Brasileira de Marketing e do Global Advisory Board da Endeavor. Já escreveu 13 livros sobre Franchising e vendas.

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