O mercado americano de franquias sempre foi uma referência importante para o Franchising brasileiro. Nos EUA, aprendemos algumas das melhores práticas de processos e gestão, que nos ajudaram a modernizar nossas redes e melhorar nossos resultados.

Inegavelmente, as franqueadoras brasileiras avançaram muito nos últimos anos. Hoje, temos 3.073 redes e 138.343 franquias, que empregam mais de 1 milhão de trabalhadores formais e geram um faturamento anual de quase R$140 bilhões. Mesmo assim, vale a pena olhar para o Franchising americano e buscar pistas sobre o que ainda podemos melhorar por aqui.

Como conselheiro da ABF (Associação Brasileira de Franchising), o consultor Marcelo Cherto participou recentemente de uma missão oficial à IFA (Internacional Franchise Association), em Washington. Na visita, um dos pontos que mais chamou a atenção de Cherto foi o tamanho das redes: enquanto cada franqueadora brasileira tem em média 45 franquias, a média americana é de 365 unidades por marca.

“Os americanos sabem aproveitar muito bem um dos maiores benefícios do Franchising: o ganho de escala”, comenta Cherto.

Para Cherto, a comparação com o Franchising dos EUA mostra que as redes brasileiras ainda têm muito espaço para crescer. “Lá, a presença das franquias em municípios pequenos é expressiva”, diz o consultor. O avanço das redes brasileiras para cidades do interior é muito recente – 60% dos municípios ainda não tem nenhuma franquia. “Criar diferentes modelos de lojas, que sejam lucrativas e se adaptem a diferentes regiões, é um desafio que as franqueadoras nacionais precisam enfrentar.”

Por outro lado, os números americanos sugerem que talvez tenhamos marcas demais. “Nos EUA, as redes que não têm escala e nem diferenciais claros quebram rapidamente. O próprio mercado se autopurifica”, comenta Cherto. “Por aqui, ainda vemos muitas marcas se manterem estagnadas por anos, com modelos pouco lucrativos ou muito parecidos com o de seus concorrentes.”

Segundo Cherto, as franqueadoras devem revisar constantemente seus modelos de negócio, sempre visando o aumento do lucro e da competitividade dos franqueados. “Algumas franqueadoras brasileiras mantêm o mesmo modelo inalterado por anos, sem se preocupar em acompanhar as mudanças do mercado e nem oferecer grandes novidades aos franqueados e consumidores”, observa Cherto. “Nossas redes precisam ganhar musculatura e apostar em inovação se quiserem sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo.”

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Autor Marcelo Cherto

É presidente e fundador do Grupo Cherto (Cherto Consultoria, Franchise Store e Cherto Atco). Mestre em Direito pela New York University, é um dos fundadores da Associação Brasileira de Franchising (ABF), além de membro da Academia Brasileira de Marketing e do Global Advisory Board da Endeavor. Já escreveu 13 livros sobre Franchising e vendas.

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