Nesses mais de 20 anos em que atuo como palestrante, sempre que dou dicas sobre como administrar a empresa, gerir uma equipe ou melhorar as vendas, as pessoas vêm falar comigo ao fim da apresentação e sempre comentam: “Como eu gostaria que meu sócio estivesse aqui para ouvir isso”. Ou então: “você precisa dar esse recado para o meu chefe!”

A sensação que eu tenho é que o problema sempre está com o outro, nunca com nós mesmos. As pessoas sempre acham que é o chefe, o sócio, o marido, o filho, enfim, o outro que precisa mudar de comportamento.

Nunca ninguém veio conversar comigo e admitiu que prejudicou seu sócio – foi sempre o sócio que o traiu. Nunca ninguém admitiu para mim que errou com o seu chefe – sempre foi chefe que cometeu uma injustiça.

Como é difícil assumir que erramos, que podemos ter falhas. Como é difícil ouvir uma orientação, vestir a carapuça e saber que aquele conselho serve para você, não para o outro.

O mundo é uma escola, estamos sempre apreendendo. E reconhecer um erro é muito importante para o nosso desenvolvimento emocional e profissional.

Mas em vez de gastar energia com o reconhecimento dos erros e com uma importante aprendizagem, muitas pessoas preferem sofrer para encontrar uma justificativa para uma falha. Ficam amarguradas e orgulhosas em vez de assumir e pedir desculpas pelo erro.

Quem decide agir, eventualmente pode errar, é claro. Só quebra copos quem lava copos. Por isso, quem erra deveria ao menos ficar orgulhoso de ter agido. Já é um primeiro passo.

Na minha opinião, pior do que errar é nem tentar. Simplesmente fugir das responsabilidades, deixando que os outros se exponham enquanto você fica quieto e seguro no seu canto.

Quando um time não vai bem, todos ficam procurando um culpado – como se isso resolvesse o problema. Muitas vezes o culpado é o próprio acusador, simplesmente porque ele não fez nada para mudar a situação.

Participando de reuniões empresariais, sempre escuto uma mesma frase: “alguém precisa fazer alguma coisa para resolver esse problema!”. O mesmo tipo de comentário aparece quando alguém fala mal do governo, por exemplo.

Toda vez que ouço esses comentários, fico pensando: quem será esse alguém? Quando jogamos sempre a responsabilidade para um terceiro, ninguém age e não saímos do lugar.

Por isso, lembre-se que só conquista seus sonhos aquele que age, trabalha, chama a responsabilidade, toma a dianteira. Essa pessoa evidentemente assume riscos – e o maior risco é falhar.

Sem problemas: se errar, levante e aprenda. Reconhecer falhas é algo que dói, envergonha e nos faz ver fraquezas nossas que preferiríamos não reconhecer. É duro, óbvio, mas também é muito transformador.

E quando você sentir medo de agir, pense nas várias oportunidades que perdeu por se omitir e em tudo que pode ganhar se acertar. Só assim é possível se destacar.

Artigo de Américo José para a Folha de S. Paulo

Autor Américo José

É sócio-diretor da Cherto Atco, formado em Propaganda e Marketing. Atua há mais de 20 anos como consultor de empresas, desenvolve e ministra programas de treinamento. Colaborador das revistas Abcfarma, Novo Meio e Meu Próprio Negócio. Colunista da Folha de S.Paulo

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