“Não colocar todos os ovos em uma única cesta” é uma espécie de mantra repetido à exaustão por dez entre dez investidores. Eles sabem o que dizem. Afinal, mesmo que você analise todos os cenários, faça todos os cálculos, elabore todas as possibilidades, é preciso sempre lembrar que a chance de errar e fracassar é real. E é aí que mora o perigo.

Tenho visto muitos profissionais, cheios de gás e motivação, colocarem toda energia e vitalidade em um único projeto. São pessoas dedicadas, que fazem a lição de casa direitinho, arregaçam as mangas e vão à luta – mas nem sempre chegam lá.

E, ao errar, sentem um grande abalo em sua autoestima. Isso afeta a percepção sobre si mesmos e atrapalha não apenas a vida profissional, mas também as relações pessoais.

Na cabeça dessas pessoas, ecoa sempre a mesma pergunta: por que não deu certo, se tudo parecia apontar para o sucesso?

É preciso lembrar o óbvio: não podemos controlar tudo. O mercado pode mudar de uma hora para outra, o consumidor pode deixar de gostar do seu produto, o concorrente pode alterar a estratégia, milhões de coisas podem acontecer. Mesmo assim, a vida segue.

Considerar que nem tudo está sob nosso controle é bem diferente de colocar a culpa nos outros pelas suas próprias falhas – isso sim seria um erro grave. Pelo contrário: admitir que não controlamos tudo é um exercício de humildade e consciência.

Por isso, depositar todas as suas chances de felicidade e realização em uma única cesta é um ato perigoso. Você pode – e deve – dar o seu melhor em cada projeto, acreditar que tudo vai dar certo e trabalhar muito para atingir as metas. Mas também precisa estar preparado, desde o início, para que as coisas não funcionem do jeito que imaginava.

Separe a sua felicidade do sucesso de um projeto profissional. Você precisa se sentir realizado com a execução do projeto, com o empenho empregado no trabalho, com a jornada em si, e não apenas com o resultado final. Caso contrário, será muito fácil se frustrar.

Bons profissionais encaram o erro como aprendizagem e usam o tropeço como impulso para vencer o próximo desafio. Eles não se abatem, nem desviam da responsabilidade. Simplesmente admitem aquela derrota, avaliam as falhas e se preparam para fazer melhor da próxima vez. Sem perder o pique.

*Américo José da Silva Filho é sócio-diretor da Cherto Atco e publica seus textos mensalmente na sua coluna no jornal Folha de S. Paulo

Autor Américo José

É sócio-diretor da Cherto Atco, formado em Propaganda e Marketing. Atua há mais de 20 anos como consultor de empresas, desenvolve e ministra programas de treinamento. Colaborador das revistas Abcfarma, Novo Meio e Meu Próprio Negócio. Colunista da Folha de S.Paulo

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